Em 19 de abril de 2008, faleceu Escípio da Cunha Lobo, professor da
Universidade Católica por mais de quarenta anos.
Escípio iniciou sua vida acadêmica em 1962, como aluno do recém-criado curso de
Psicologia da então Universidade Católica de Minas Gerais. Antes mesmo de concluir
sua graduação, tornou-se professor do curso de Psicologia. Defendia a concepção de
que a Universidade tem compromisso com a formação e o desenvolvimento do aluno
como pessoa. Por isso mesmo, deveria oferecer-lhe também as condições necessárias
à sua formação pessoal e não apenas à profissional.
Por esse princípio pautou sua carreira, nos vários cargos que ocupou e funções
que desempenhou. Dele se pode dizer que expressou com fidelidade os valores
cristãos, assumidos como missão pela PUC Minas.
Como professor e psicoterapeuta, deixou-nos muitas lições.
Escípio, você acreditava no homem. Admirava cada pessoa pelo que tem de singular,
como possibilidade de transformar-se na mais pura expressão do divino em forma
humana. Era só oferecer-lhe as condições necessárias. Tantas vezes falamos sobre
isso.
Você não apostava no homem, como às vezes se diz por aí. Apostamos em
cavalos ou na loteria. Podemos acertar ou errar porque a aposta é jogo de azar. Você,
Escípio, tinha certeza do homem. Confiava nele.
Com seu jeito manso, paciente, amoroso, você foi uma expressão de Deus para
todos que convivemos com você. Por suas palavras, sentíamos a luz do Espírito de Deus
dirigindo-se a nós com amor e sabedoria. Não à toa você buscava sempre o Espírito,
para além do corpo; não à toa, recorria, em suas lições, ao modelo da Santíssima
Trindade. Mesmo aqueles que não professam uma religião percebiam que você falava
da transcendência, do Amor mediando as relações entre as pessoas.
Para nós, seus discípulos, fica o desafio: despertar o que existe de mais
autêntico em cada ser humano.
Quantos de nós nos dispomos a seguir a grande lição que Escípio nos ministrou– e lutar
pela humanização das relações interpessoais como missão desafiadora, mas possível,
em nosso meio?
Assim, suas ideias – clássicas, como ele costumava dizer – não morrerão, serão
eternas.
Mais que professor, Escípio foi mestre.
Mais que erudição, Escípio tinha sabedoria.
Além de colega, foi companheiro.
Mais que um psicólogo humanista, Escípio foi uma pessoa plenamente humana,
como ele mesmo costumava dizer.

Autora: Ana Maria Sarmento Seiler Poelman