A Focalização é um processo terapêutico desenvolvido pelo filósofo e terapeuta Eugene Gendlin. Pode ser interpretada como um tipo de Aconselhamento Psicológico (neste foco, pode ser exercida por qualquer pessoa que possua a formação específica), como também pode contribuir para processos de psicoterapia (realizada exclusivamente por psicólogos e psiquiatras) na modalidade FOT ( Focusing Orienteded Therapy) .

Focalização é um caminho de escuta da própria experiência que inside no corpo. É uma maneira de se conectar com sua inteligência corporal através de sinais enviados por ela.

Gendlin desenvolveu uma maneira de medir até que ponto um indivíduo se refere a dimensão sentida corporalmente de suas experiências; e ele descobriu em uma série de estudos que os clientes de terapia que têm resultados positivos fazem muito mais esse processo.

Ele então desenvolveu uma maneira de ensinar as pessoas a se referirem ao sentido percebido, para que os clientes pudessem se sair melhor em terapia. Este treinamento é chamado de Focalização ou Focusing.

 Pesquisas adicionais mostraram que a Focalização pode ser usada fora da terapia para abordar uma variedade de questões. 


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Aprofundando na história da Focalização e em sua prática

A partir de 1953 o Prof. Dr. Eugene Gendlin atuou na Universidade de Chicago onde pesquisou por 15 anos o que tornava a psicoterapia bem ou malsucedida. A conclusão foi que não é a técnica do terapeuta que determina o sucesso da psicoterapia, mas sim a maneira como o paciente se comporta e o que o paciente faz dentro de si durante as sessões de terapia.

Gendlin descobriu que em 100% dos casos, os pacientes bem-sucedidos se concentravam “intuitivamente” em suas experiências corporais, em uma consciência corporal interna muito “sutil e vaga” denominada “Felt-Sense” ou “Sentido Sentido” (tradução) que contém informações que, se integradas, possuem a chave para a resolução de problemas que o paciente está experimentando.

Para Gendlin o Senso Sentido (ou Felt Sense) é um conhecimento interno ou consciência que não foi conscientemente pensada ou verbalizada – como aquele “algo” é experimentado no corpo. Não é o mesmo que uma emoção. Esse sentimento corporal “algo” pode ser uma percepção de uma situação ou uma velha mágoa, talvez uma ideia ou insight. Crucial para o conceito, como definido por Gendlin, é que não é claro e vago, e é sempre mais do que qualquer tentativa de expressá-lo verbalmente.

De acordo com Gendlin, o processo de Focalização colabora para dar acesso e maior tangibilidade às sabedoras contidas nas experiências corporais. Para ajudar a sentir a forma do sentido e identificar com precisão o seu significado, o focalizador experimenta palavras que possam expressá-lo.

Gendlin observou clientes, escritores e pessoas na vida cotidiana voltando sua atenção para esse conhecimento ainda não articulado. Como uma experiência sentida formada, haveria longas pausas junto com sons como “uh ….” Uma vez que a pessoa tivesse identificado com precisão este senso sentido em palavras, novas palavras viriam e, por sua vez, novos insights sobre a situação. Haveria uma sensação de movimento sentido – uma “mudança sentida” – e a pessoa começaria a ser capaz de se mover além do local “preso”, tendo novos insights, e também, às vezes, indicações de medidas a serem tomadas.


Focalização no Mundo

A disseminação mundial do Focusing foi facilitada pelo The International Focusing Institute criado pelo Eugene Gendlin. Esta organização sem fins lucrativos define-se como “uma organização internacional transcultural dedicada a apoiar indivíduos e grupos em todo o mundo que estão praticando, ensinando e desenvolvendo a Focalização e sua filosofia subjacente.

(Clique na imagem para ter acesso ao site oficial)

Um pouco da historia da focalização no Brasil

A primeira pessoa que temos notícias que trouxe os conhecimentos sobre a Focalização para o Brasil foi o Prof. Wolber de Alvarenga (saiba mais clicando aqui) que atuava na Faculdade de Psicologia da Universidade Federal de Minas Gerais. Wolber formou psicólogos como Prof. Walter de Andrade Parreira, que atua com Focalização desde a década de 70.

Já no ano 2000 a Prof. Vera Engler Cury, coordenadora de Grupo de Pesquisa na Pontifícia Universidade Católica de Campinas, sugeriu para seu mestrando da época, João Carlos Messias Caselli, estudar Focalização em seu mestrado o qual seguiu nessa direção. João Carlos foi até os EUA estudar com Eugene Gendlin e tem sido um dos brasileiros que mais tem contribuído para o processo de difusão da Focalização na língua portuguesa através das traduções que fez, assim como artigos, textos, dissertação e tese de doutorado.

Em 2008 o psicólogo Lucas Baptista Albertoni num fórum da ACP conversou sobre Focalização com filósofo catalão Tomeu Barcelò, o qual era Focusing Coordinator pelo The Intenational Focusing Institute. Naquele momento Tomeu ofereceu a possibilidade de vir ao Brasil ensinar focalização. Lucas no momento, fazia uma formação em psicologia humanista na cidade de Belo Horizonte e trouxe a proposta para seus colegas dessa formação. Todos colegas desse pequeno grupo (Ana Lidia Mafra, Carolina de Sena, Guilherme Tostes, Michele Rocha, Poliana Esteves e Yuri Gaspar) aderiram à proposta, somaram-se a eles os professores da formação (Maurício de Sousa, Antonio Coppe, Maria Luiza Rocha) e outros amigos convidados, todos juntos patrocinaram a primeira vinda do filósofo Tomeu Barcelò para o Brasil. Tomeu gentilmente nessa sua primeira vinda não cobrou pelo processo, apenas solicitou que os custos de sua viagem fossem cobertos. Tudo foi articulado para que em 2009 a primeira turma de focalização fosse formada, dando inicio ao processo com os módulos 1 e 2.

Grupo que trouxe Tomeu Barcelò ao Brasil (Módulo 1 e 2 de Focalização)
– 31 de agosto de 2009 –

Nesse momento inicia-se um processo de formação que durou desde 2009 à 2012. Porém apenas uma pequena parcela daqueles que iniciaram realmente concluíram o curso. Em 2012 forma-se então a primeira turma de Focusing Trainers do Brasil pelo The International Focusing Institute na cidade de Belo Horizonte.